Pequena declaração de princípios (e de continuidades)

Quando o golpe de 1964 ocorreu eu tinha 13 anos, morava perto da refinaria da Petrobras em Duque de Caxias e, de diferente, notei apenas as tropas do Exército pelas redondezas.
Em junho de 1968, quando da “passeata dos 100 mil” e outras, eu, aos 17 anos, morava em Olaria, nos subúrbios do Rio, e acompanhei pelos jornais.
A partir daí, convivendo com a turma de jovens da igreja local, fui me inteirando da situação. Vieram o AI-5 e o governo Médici e, de repente, eu trocava a pretensão de ser engenheiro pela curiosidade das Ciências Sociais e entrava, em 1971, para o IFCS/UFRJ.
Em 1973, com ainda mais curiosidade sobre a sociedade humana e depois de uns 15 colegas serem presos durante as férias, saltei fora da universidade e tentei, com parceira e amigo, ir de carona até o Chile de Allende. Por falta de dinheiro e, talvez, premonição dos perigos, voltamos de Mendoza, a 100 km da fronteira chilena…
A partir de 1977, fui fotojornalista na Manchete (e outras revistas da Bloch) e no Jornal do Brasil, freelancer na imprensa após 1986 e para empresas no correr dos anos 1990. Em todo esse tempo a minha postura diante de protestos ou arranjos, de lutas ou acordos, sempre foi a da maior “neutralidade” possível: dava atenção à imagem e não às ideias.
Da virada dos anos 2000 para cá, à medida que ressurgia em mim a necessidade de refletir (e de escrever) sobre a convivência humana, fui me envolvendo com (e opinando sobre) temas próximos, até ficarem evidentes os princípios que buscava desde o início:

SOMOS TODOS IGUAIS NESSA TERRA E É ASSIM QUE DEVEMOS CONVIVER.
Nos últimos anos, as condições sociais e políticas do Brasil me apontaram que a nossa desigualdade social é não só injusta, mas também praticamente insuportável, tanto para quem a sofre quanto para quem tenha consciência disso. E também me indicaram que só a superação dessa desigualdade social trará paz, desenvolvimento, soberania e, em última instância, felicidade ao povo brasileiro.
Então, hoje, me percebo (e me sinto contente de ser) um cada vez mais intenso ativista político (e social, e cultural etc), entendendo cada vez mais a necessidade de, na medida do possível, estar presente nos atos que constituem a luta por avanços sociais, desde a paciente atuação cotidiana até a emocionante presença em momentos coletivos.
Se a luta é árdua, se há quem não a entenda ou se há os que apenas defendem o seu pequeno mundo, paciência… Importante é que aprendi que essa perspectiva é justa, é construtiva, é libertadora. E, melhor ainda, é que nesta caminhada tenho encontrado companheiros que enquanto me trazem fé e alegria, vão se tornando queridos.

 

Guina na Manifestação 31-03-2016 bx2_0540

Sobre a foto: a selfie foi feita no Largo da Carioca, em 31/03/2016, durante manifestação contra a ameaça de golpe político-jurídico-midiático em curso no Brasil. A camisa azul, além de indicar que a democracia tem todas as cores, é uma homenagem à comunidade de Vila Autódromo, por sua resistência contra o poder econômico da especulação imobiliária, que lhes é imposta pela Prefeitura do Rio. A camisa vermelha, levada como alternativa, foi improvisada sobre a cabeça, como proteção por conta de uma gripe insistente. Os cabelos brancos são uma espécie de registro desta trajetória. As bandeiras ao fundo, dão a localização dessa luta: o povo do Brasil é a referência.

Vila Autódromo vive!

O lugar era descampado, encharcado, sem grandes atrativos… Um grande território de restingas e lagoas, distante do corpo da cidade do Rio de Janeiro, atrás das montanhas cobertas pela Floresta da Tijuca. Se não uma Amazônia, uma espécie de “Pantanal carioca”… Isso, nas décadas de 1950 e 60. Um lugar aonde praticamente ninguém ia, salvo namorados mais afoitos, rapidinho, e pessoas que não tinham onde morar, querendo ficar.

Pescadores, e logo outros trabalhadores, se instalaram na boca de um rio, à beira da lagoa de Jacarepaguá, em terra pública, do Estado, ainda não “grilada” por especuladores imobiliários. Passados muitos anos, a cidade crescendo naquela direção, resolveram construir ali um autódromo, mas já estava lá aquela comunidade de muitas dezenas, de centenas, de famílias. Sendo o autódromo cuidadosamente fechado por um grande muro, a comunidade continuou quietinha no lugar, mas ganhou o nome de Vila Autódromo.

Passam mais de duas décadas e a cidade se espalha pela Barra da Tijuca e Baixada de Jacarepaguá, constroem-se avenidas, prédios, shoppings… Entrementes, governos sensíveis às carências populares concedem a posse dos terrenos (por 99 anos!…) aos moradores da comunidade, que passaram a ter ruas definidas, comércio e igrejas, mas não o tráfico e nem as milícias… Tão discretos e ordeiros que, apesar de eu ter fotografado várias corridas de Fórmula-1 e outros eventos no Autódromo, nem me lembro de ter visto a Vila Autódromo nas redondezas…

Eis que nesse século, o Rio de Janeiro é dominado pelos Grandes Eventos Esportivos… O Pan-Americano ameaçou mas não afetou, a Copa do Mundo passou ao largo, mas as Olimpíadas transformaram a paz da comunidade em tragédia!…

O antigo Autódromo deu lugar ao Parque Olímpico, mas, a princípio, a comunidade de Vila Autódromo não foi prejudicada, foi respeitada pelo projeto vencedor. Só que as mudanças atiçaram os interesses imobiliários, e os políticos estão aí justamente para favorecer o (e se favorecerem do) capital local… Ainda que ilegalmente, o grupo político que governa o Rio de Janeiro combinou incluir entre as terras que serão entregues às construtoras (um generoso pagamento pelas obras do Parque Olímpico) também a área de Vila Autódromo.

As Olimpíadas se aproximam, o negócio está feito e é preciso cumprir o prometido, entregar o combinado… Ou seja, a prefeitura precisa esvaziar aquele pedaço de terra, que ali serão construídos condomínios para a classe média, prédios semelhantes aos vizinhos, e perder aquela área é prejuízo muito grande…

Tenho assistido este processo, acompanhando o trabalho das universidades públicas (UFF e UFRJ) na elaboração do Plano Popular de Vila Autódromo, uma proposta alternativa à pressão que a Prefeitura faz tentando a remoção completa da comunidade.

Ora, a parceria é de alto nível: políticos dispostos a venderem a cidade, empresas dispostas a faturar o máximo possível e esquemas internacionais explorando as paixões esportivas… Na outra ponta, algumas dezenas de famílias que apenas querem continuar a viver a sua vida.

Nas fotos, o convívio amargo de seus moradores com a destruição cotidiana, que vem justamente de quem deveria protegê-los… E o grito lancinante da resistência do povo de Vila Autódromo, expresso em pichações nas ruínas dos seus lares que foram destruídos pela Prefeitura do Rio de Janeiro, cidade olímpica…

Vila Autódromo vive!

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A Prefeitura destrói!… O povo se ajeita.

A Prefeitura destrói!… Os moradores, indignados, assistem!

A Prefeitura destrói!… O patrimônio é perdido.

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A Prefeitura destrói!… A juventude perde futuro.

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A Prefeitura destrói!… As pessoas se assustam.

O Parque Olímpico invade!

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A Prefeitura destrói!… Vila Autódromo resiste!

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A Prefeitura destrói!… A solidão e o abandono dominam.

Vila Autódromo resiste!

O prefeito promete, mas não cumpre!… Vila Autódromo resiste!

A Prefeitura destrói!... O Parque Olímpico invade!

A Prefeitura destrói!… O Parque Olímpico invade!

Vila Autódromo resiste!

Vila Autódromo denuncia!

Vila Autódromo resiste!

A Prefeitura despreza. Vila Autódromo é reconhecida!

Vila Autódromo resiste!

Vila Autódromo resiste!

Vila Autódromo resiste!

Vila Autódromo resiste!

Vila Autódromo resiste!

Vila Autódromo resiste!

Vila Autódromo resiste!

Vila Autódromo resiste!

Vila Autódromo resiste!

Vila Autódromo resiste!

Vila Autódromo resiste!

Vila Autódromo resiste!

Vila Autódromo resiste!

Vila Autódromo resiste!

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Vila Autódromo resiste!

Vila Autódromo resiste!

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Vila Autódromo resiste!

Fina obra, Sérgio Fleury

As redações dos tempos do Sérgio Fleury (ei, já podemos falar assim?) eram, mesmo, um parque de diversões, pelo menos em certo sentido, tem toda razão o Joaquim Ferreira dos Santos quando as descreve, com o humor necessário, em sua crônica (e neste caso a categoria literária é totalmente própria) intitulada, muito justamente, “Parque de diversões”.

Epa, também não vamos provocar ondas de inveja nos esbaforidos jornalistas de agora… Sim, aquelas redações eram parques de diversões, mas eram também centros (ou devo dizer antros?) de preocupações. A gente se divertia, tudo tinha sua graça, mas também não estávamos ali por mera curtição: havia muita responsa, meus caros!

Para quem pegou o bonde andando, como eu, ainda mais. Para um fotógrafo nada precoce, que só estreou aos 27 anos na Editora Bloch (da Manchete, Fatos & Fotos e uma variedade de revistas coloridas), chegar ao Jornal do Brasil em meados de 1980, no espanto dos meus 30 anos, foi como entrar no jogo aos 30 minutos do segundo tempo, e por aí dá para imaginar quantos grandes lances eu assisti do banco, só que agora estava na área e a bola rolava solta. Ou, para que não se faça confusão com outro tipo de jogadas, os acontecimentos rolavam e os da imprensa (eu meio sem jeito) não paravam de correr atrás…

Bem, chega de falar de mim, assunto recorrente em outros espaços… Quero mesmo é fazer minha mínima louvação ao grande parceiro/amigo/mestre Sérgio Fleury, ainda que já devidamente retratado pelo Joaquim citado acima, pelo Israel Tabak no Observatório da Imprensa, e por mais um emocionado varejo de postagens e de comentários nos Facebooks da vida, um espontâneo chorrilho virtual, escrito e publicado justamente para que se mantenha viva a sua fina obra.

Digo “fina obra” (e achei o título deste arrazoado!) porque realmente o Fleury era o fino!… Sei (vejam no link anterior) que o Alexandre Medeiros, cria da casa, lembrou dos seus estimulantes momentos “baixo calão”, mas está lá, em seu texto, a sentença da “vítima”: era um gentleman. E sei que o Jorginho (o Jorge Antonio Barros), agora um rato de redação, abençoou os seus aliviantes momentos “papai sabe tudo”, sabedoria com que evitou muita crise profissional pelas redações de então… Ou seja, nuances do estilo.

Pois quando eu o conheci, no palácio estilizado da Av. Brasil 500, um prédio-monumento à prepotência das famílias donas-de-mídia brasileiras (e olha que vinha de outro, do “espelhão” da Bloch na praia do Russell), Sérgio Fleury era já um dos redatores (do tempo em que os havia) do JB e pouco convivi com ele, que o meu lugar, de fotojornalista, era a rua (que tão bem frequentara, estão aí as histórias contadas pelos coleguinhas).

Sérgio Fleury nos bons tempos da Olivetti do JB, anos 1980

Sérgio Fleury nos bons tempos da Olivetti do JB, anos 1980

Convivi menos com ele do que os “das pretinhas”, mas sempre pegava umas caronas da sua finura no conversê dos intervalos ou até na pressão dos fechamentos. Curti mais a figura depois, passados uns 20 anos ou mais. Primeiro, graças às mágicas internéticas de reaproximação de perdidos, que, por exemplo, resultou no blog ÁlbumJotaBeniano, um grande serviço à nossa memória, de que foi um dos grandes mentores. Depois, por coincidências da profissão, nas parcerias de trabalho com Antonio Batalha, em reencontros na redação da Firjan, o derradeiro parque de diversões de Sérgio Fleury, onde sempre rolava um papo altamente democrático, que ninguém o era mais que ele…

Para arrematar este adeus (e ele mesmo já me diria para enxugar o texto), mas também para ilustrar seu indomável (mas sempre suave) espírito, conto o falso segredo da sua vocação frustrada: o Fefeu (como chamavam as garotas-repórteres discretamente apaixonadas, apenas profissionalmente, é claro, por ele), em seus últimos tempos, pelo menos (talvez, pura sabedoria…), queria mesmo era ser lambe-lambe!

Sim, era assim, desta forma fingidamente pejorativa, que Fleury classificava os seus “ídolos” (e o declarava, quando, na verdade, era o inverso), chamando indiscriminadamente todos os seus amigos fotojornalistas e fotógrafos em geral de “lambe-lambe”… Era inveja, das boas, compreende-se, mas mesclada com a pura alegria da experimentação, logo ele a quem sempre invejamos pela finura, do texto e da pessoa. Gostava de se exibir apresentando umas fotinhas sempre simpáticas, espertas mesmo, nas quais eu e mais alguns dos mais chegados (entre eles faço questão de citar, pela sua também finíssima ironia, o Luiz Carlos David) tratávamos de encontrar os mais divertidos defeitos, debochando um pouco mesmo, percalços que não só não lhe tirava o bom humor como o estimulava a tentar de novo, outra das suas qualidades.

Sérgio Fleury, 2011

Sérgio Fleury, 2011

Não é à toa que sua foto de perfil no Facebook, desde 2011, ali está ele enquadrado por uma moldura, que é de um tablet, mas parece mesmo a de uma fotografia. E não há melhor final para estas louvaminhas do que contar um muito emocionante momento de seu velório. Quando atravessei, grato, as dezenas de amizades do saguão e me aproximei de Pimba (que sempre chamou a esposa Regina pelo apelido, carinho não lhe faltava), bem aos pés de seu caixão (e até lá ele parecia confortável, era da maior simplicidade), ela me recebeu com um caloroso abraço e uma entusiasmada declaração, que era também um convite: “Vamos fazer um livro com as fotos dele, o que você acha?!”

Acho que ele gostaria muito, e eu também, e tantos outros, e este livro deve ser muito divertido (e também ajudar a fazê-lo, “vamos fazer uma reunião para editar”). E acho também que esta atitude, de uma viúva que o acompanhou por décadas e por mais uns dois meses de silenciosa despedida, simboliza tudo aquilo que foi, vá lá, a exemplar trajetória de Sérgio Fleury, cuja fina obra está (e ficará) em cada um de nós.

E mais não digo que está me dando uma emoção danada…

Ipanema, um dos seus assuntos preferidos. Por acaso, uma foto que deixei de tirar, que estava com ele mas sem máquina fotográfica...

Ipanema by sun – Sérgio Fleury, 2011 — Ipanema, um dos seus assuntos preferidos.
Por acaso, uma foto que deixei de tirar, que estava com ele mas sem máquina fotográfica…

O Brasil e as eleições de 2014

Acho que é preciso observar a situação em vários níveis.

Para começar, o político. Aí, a situação é igual, geral e antiga: a cultura dominante é a da apropriação dos recursos públicos para fins particulares por quem detém qualquer fatia de poder. Evoluiu de um mandonismo senhorial, do tipo “manda quem pode, obedece quem tem juízo”, para uma apropriação orquestrada, em que as empresas financiam políticos, que depois privatizam e cedem a elas os setores em que têm interesse (e recebem o seu, em troca…).

A Ditadura & os Senhores do Brasil

Antonio Carlos Magalhães e Ernesto Geisel – Rio, 1978 – Foto: Aguinaldo Ramos

Esta cultura tem uma longa história, é praticamente o estilo de vida das nossas classes alta (por interesse direto) e média (pelos ganhos derivados, atuando como “funcionários”). O poder dos “donos” locais é tão grande que, até agora, todos os governos centrais só conseguiram “governabilidade” à custa de cessões (e concessões) aos “senhores” regionais. É um poder que se sobrepõe à democracia e só mesmo o esclarecimento político poderá alterar este quadro.

O segundo nível é o econômico e, aí, além das consequências históricas deste quadro político, é evidente que a situação piorou a partir da infiltração de uma grande “praga”: a ênfase radical na iniciativa privada. Esta iniciativa, filhote do neoliberalismo, que domina o mundo desde os anos 1980, conseguiu fazer com governos cedessem à iniciativa privada até mesmo as áreas mais críticas de atuação do Estado (em que o lucro não pode ser critério de excelência), o que tem provocado situações dramáticas na Saúde, na Educação, nos Transportes etc. Nisso, temos não só casos de jogo duplo, em que servidores do Estado são também empresários (ou seus “empregados”), como também a influência dos interesses privados nas outras instâncias de governo, provocando mudanças legislativas e judiciárias que lhes são favoráveis, em prejuízo da grande maioria da população.

Final da Ponte - Niterói, 2013

Ponte Rio-Niterói: privatização dos Transportes, exemplo para Saúde, Educação etc. – Niterói, 2013 – Foto: Aguinaldo Ramos

E temos o nível sociológico, em que devemos observar a distribuição de poder (e de dinheiro) e a dominação ideológica na nossa sociedade.

Aqui, como referência pessoal, cabe um parêntese para lembrar que os jovens que foram rebeldes durante a Ditadura, na absoluta maioria, pertenciam à classe média e centravam suas lutas não em fatores econômicos, mas de expressão de pensamento. Com exceção de alguns mais radicais, os rebeldes da época não buscavam mudanças estruturais da sociedade, nem mesmo na distribuição social de renda, por exemplo. Neste sentido, as alterações mais efetivas de que se tem notícia no Brasil aconteceram nas duas últimas décadas e se originam na atuação do poder público. Embora provoque engulhos nos que estão acostumados à estabilidade (e até privilégios) de suas posições sociais ou nos acostumados a ver os pobres apenas como serviçais, o fato é que uma melhor distribuição de recursos é da maior importância para o Brasil, como foi para outros países, tanto os que fizeram revoluções socialistas (Rússia, Cuba, China) quanto os capitalistas que entenderam a necessidade de uma sociedade mais equilibrada (Suécia, Japão, Coréia do Sul). No Brasil não fizemos nem mesmo a reforma agrária, os descendentes de escravos ainda vivem segregados em favelas etc…

A estátua de D. Afonso Henriques encara de frente a favela Santo Amaro, no Catete – Rio, 2011

D. Afonso Henriques encara de frente a favela Santo Amaro, no Catete – Rio, 2011 – Foto: Aguinaldo Ramos

Por outro lado, há toda uma estrutura de poder midiático (de âmbito nacional) que tenta evitar este tipo de mudanças (não só  por puro conservadorismo, também porque afetariam seus interesses econômicos) e assim criam continuamente as mais tenebrosas previsões e ameaças (desde o aumento da inflação ao resultado da Copa do Mundo, por exemplo), com manipulação e adulteração de notícias, sem que encontre uma contrapartida à altura, seja na mídia ou nos fatos.

É claro que fala com mais precisão de problemas específicos do atendimento público quem é da própria área, mas, tendo em conta as restrições deste quadro sócio-político-econômico, é possível  reconhecer mudanças importantes entre a época da nossa juventude e o que vemos agora. Por exemplo, cito a situação dos portadores de AIDS e a decisão dos governos, lutando contra multinacionais, de criarem um sistema de atendimento público que permite a qualquer soropositivo ter acesso aos remédios de que precisam, de graça (ou por preço mínimo?), em qualquer parte do país e a qualquer momento. Outro exemplo significativo é a iniciativa de contratar médicos estrangeiros para atendimento em áreas do país para onde médicos brasileiros não se dispuseram a ir, embora devamos reconhecer as dificuldades de meios de trabalho que costumam existir nesses locais, que os políticos locais não resolvem. Sobre este tema, sugiro este vídeo, uma matéria não pode ser considerada tendenciosa…

Mapa da reportagem Mais Médico no Amapá 07/2014

Mapa da reportagem do Globo Rural, 07/2014

 

http://globotv.globo.com/rede-globo/globo-rural/t/edicoes/v/medicos-melhoram-as-condicoes-de-saude-em-regioes-agricolas-distantes/3492395/

Assim, entendo que, diante das opções eleitorais do momento, não há melhor alternativa do que apoiar a atual situação, ou seja, a reeleição de Dilma Rousseff.

Os que estiveram no poder nos mandatos anteriores (e querem voltar), representados por Aécio Neves,  são muito mais envolvidos nestas velhas formas de dominação política (e talvez a diferença entre aeroportos “particularesaeroportos de uso geral  simbolize bem isto).

Embalada em indefensáveis contradições, que vão da origem popular da candidata ao entreguismo financeiro de seu grupo de apoio, a proposta de uma “nova política”, capitaneada por Marina Silva,  mostra-se flutuante entre a ingenuidade e o oportunismo, e, em termos dos interesses da nação brasileira, muito pouco sustentável.

E, afinal, há aqueles, com destaque para Luciana Genro, que propõem mudanças mais aceleradas, quase atropelando consciências desmobilizadas, mas não demonstram maturidade (em parte por origem de classe) e nem estrutura política (ou força partidária) suficientes para a manutenção, neste momento, do fundamental embate contra as forças imobilistas do Brasil “profundo”.

Meu apoio à candidatura da situação, a nível nacional, inclui, expressamente, uma grande expectativa de avanços mais significativos, que levem a uma ampliação mais eficaz da distribuição de renda e da democratização de poder. E que esta ação abranja toda a sociedade brasileira, pois este é o desejo e a necessidade do povo brasileiro, evidenciados pelas manifestações que vêm de 2013.

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Nepotismo político-religioso: a família do pastor também pretende o céu do poder…

Minha maior preocupação é quanto à composição do Congresso. A coincidência de eleições não permite uma suficiente discussão sobre a representatividade. Em consequência disso, temos a proliferação dos “candidatos-filhotes”, uma espécie de “nepotismo eleitoral” que já se transformou em uma das maiores pragas da política brasileira.

Quanto à situação local, acho que os eleitores do Rio de Janeiro precisam cair na real.

Politicamente, Pezão não existe: o que existe é Sérgio Cabral, por trás dele… Votar em Pezão é ajudar a manter o esquemão de faturamento que domina o estado nos últimos anos, evoluindo de anteriores… A opção Garotinho, como foi demonstrada com clareza (e com Rosinha também), não passa de um populismo em causa própria, uma versão política de certos programas de auditório… Crivella representa um projeto para o futuro, o da ascensão de grupos religiosos ao poder político, certamente um prenúncio de grandes conflitos…  O discurso de Tarcisio Motta é muito útil, como alerta, mas o partido ainda não tem estrutura suficiente para a tarefa…

Dos candidatos em condições de vencer, a alternativa é Lindberg. E esta candidatura é importantíssima para a política carioca, por propor um PT realmente útil ao povo, em vez de apenas alianças espúrias para governar. O ideal, aqui no Rio, é que o PT-oposição vença e faça a melhor parte de seu projeto, o atendimento das necessidades do povo e avanços na diminuição das injustiças sociais.

Espero que estas opiniões sejam úteis para as reflexões e escolhas de cada um.

No segundo turno, mantenho o voto em Dilma Rousseff, pelas razões citadas.

No Rio de Janeiro, opto por Crivella, e que o projeto que pode representar seja colocado diante das obrigações da administração pública, enquanto, ao menos, pode ajudar a quebrar o esquema que domina o estado.

Atualizado em 23/10/2014.

 

Fotojornalistas cariocas, anos 1980

Esta é a lista de fotojornalistas com que convivi no período 1977-1987, que foi acrescentada, como adendo, ao livro “A outra face das fotos – Reminiscências e elucubrações sobre a arte e a prática do fotojornalismo“, lançado em Junho de 2014.

Capa A outra face das fotos

 

A lista foi feita de memória, com apoio de José Esmeraldo, então editor de Fatos & Fotos e hoje do Blog que virou Manchete, e de citações do blog Jotabenianos, complementada pela colaboração de amigos no Facebook e consolidada nesta postagem (mas estou certo de que ainda faltam alguns…):

1. colegas na Bloch (a serem identificados na foto abaixo): Adir Mera, Alexandre Cavalcanti, Amicucci Galo, André Krajcsi, Antonio Rudge, Ayrton Camargo, Carlos Humberto TDC, Ernani d’Almeida, Eveline Muskat, Frederico Mendes, Gaston Guglielmi, Gervásio Baptista, Gil Pinheiro, Hélio Santos, Henrique Viard , Hermínio de Oliveira, Hugo de Góes, Indalécio Wanderley, Isabel Garcia, Izi Bereanu, José Moure, João Filgueiras, João Poppe, João Silva, Juvenil de Souza, Lena Muggiati, Lúcio Macedo, Luiz Cláudio Marigo, Márcia Ramalho, Marcos Vinicio Cunha, Nicolau Drei, Nelson Santos, Nilton Ricardo, Paulo Arthur, Paulo Marcos, Paulo Reis, Paulo Scheuenstuhl, Paulo Soler, Raimundo Costa, Ricardo Azoury, Ricardo Beliel, Sérgio de Souza, Vera Sayão e Wilson Pastor; o mecânico Delfim Freitas e os laboratoristas Tetéu e Mori.

46 Fotojornalistas da Bloch, 1978-79

2. colegas no Jornal do Brasil (a serem identificados na foto abaixo): Alberto Ferreira, Almir Veiga, Antônio Batalha, Antônio Trindade, Ari Gomes, Basílio Calazans, Braz Bezerra, Campanella Neto, Carlos Hungria, Carlos Mesquita, Cristiane Derizans, Cristina Paranaguá, Custódio Coimbra, Cynthia Brito, Delfim Vieira, Geraldo Viola, Gilson Barreto, Evandro Teixeira, José Camilo, Luiz Carlos David, Luiz Morier, Luiz Morier, Mabel Arthou, Martha Lopes, Marco Antonio Cavalcanti, Rogério Reis, Ronaldo Theobald, Rubens Barbosa, Tatiana Constant, Vidal da Trindade, além do mecânico Delfim e os laboratoristas Almir, Brígida e Jaime.

Foto JB - fotógrafos

Fotojornalistas do Jornal do Brasil, 1981

 

3. colegas na imprensa, em geral: Alberto Jacob, Alberto Jacob filho, Alcyr Cavalcanti, Américo Vermelho, André Câmara, André Durão, André Krajcsi, Aníbal Philot, Antônio Augusto Fontes, Antônio Athayde, Antônio Ribeiro, Armando Rozario, Beth Bullara, Beto Felício, Carlão Limeira, Carlos Carvalho, Carlos Chicarino, Carlos Ivan, Celso Oliveira, Cesar Loureiro, Chiquito Chaves, Claus Meyer, Cristiana Isidoro, Cristina Zappa, Dario Zalis, Davy Alexandrisky, Dilmar Cavalher, Domingos Peixoto, Elisa Ramos, Erno Schneider, Eurico Dantas, Flávio Rodrigues, Frederico Rozario, Georges Racz (pai), Hamilton Corrêa, Hipólito Pereira, Ivan Lima, Januário Garcia, João Roberto Ripper, Jorge Peter, Jorge William, José Caldas, Lena Trindade, Leandro Pimentel, Luiz Pinto, Luiz Garrido, Masao Goto Filho, Masaomi Mochizuki, Marcelo Carnaval, Marcelo Ribeiro, Márcio RM, Marcos Issa, Milton Guran, Octales Gonzales, Olavo Rufino, Orlando Abrunhosa, Oscar Cabral, Otávio Magalhaes, Paulo Moreira, Pedro Agilson, Pedro Vasquez, Renato de Aguiar, Ricardo Funari, Ricardo Malta, Ricardo Siqueira, Roberto Costa e Silva, Sebastião Barbosa, Sebastião Marinho, Sergio Araujo, Sérgio Moraes, Sérgio Zalis, Tasso Marcelo, Ubirajara Dettmar, Walter Firmo, Zeca Fonseca, Zeca Guimarães, Zilmar Gonçalves e Zulmair Rocha; e os laboratoristas Basílio, Lula Aparício, além do Milan, seu filho Marcelo, Rubber (Rubinho) e Jobi.

Estão listados fotojornalistas que conheci entre finais dos anos 1970 e finais dos anos 1980. Como a edição do livro foi feita com alguma celeridade, só depois pensei em fazer esta lista. Assim, foi incluída como um adendo, em folha solta, afixada no verso da 4a. capa.

Fica publicada aqui esta listagem como minha homenagem a todos estes colegas fotojornalistas.

Uma Constituinte Jurídica?

Ainda nem acabou o tal julgamento do tal Mensalão e já há, é voz corrente, uma figura condenada: a Justiça brasileira.

Sinceramente, um sistema que depende de uma quantidade insaciável de leis de todas as épocas, que se interpenetram, que se contradizem e não só permitem as mais variadas interpretações como ainda obrigam os próprios julgadores a se digladiarem para definirem o significado, o sentido, a qualidade, o motivo de cada um dos seus movimentos e opiniões…

Para o brasileiro comum, o problema é mais embaixo… Embora entenda que os exemplos alheios são sempre melhores, parto das vivências e sentimentos meus: desde cedo percebi o campo da Justiça como repleto de perigos. E fugi dele… Reconheço, é claro, seus bons exemplos, mas não me dei nada bem nas duas únicas experiências diretas com tribunais… Uma, como testemunha de acusação em processo trabalhista de um parceiro jornalista, contra a Editora Bloch, nos anos 1980. Outra, ao mesmo tempo como réu e como acusador, por conta de um acidente de trânsito, no início dos anos 1990.

No primeiro, respondendo ao juiz sobre as inúmeras irregularidades da empresa, comentei de passagem que eu mesmo teria motivos para processá-los, mas que preferi deixar para lá… O juiz me pediu que repetisse e, de imediato, ditou para os autos que eu declarava não ter cobranças a fazer contra a empresa. Talvez não pudesse, por força do cargo, me estimular a superar minha, digamos, timidez jurídica, mas também não precisava ser tão expedito em garantir o sossego dos empregadores…

No segundo, fui obrigado a ir ao Juizado de Pequenas Causas, após um caminhão abalroar (!) meu fusquinha na Av. Brasil. Impelido para a pista contrária, encarei de frente uma kombi, felizmente vazia, que foi parar no mato. Não sendo caminhão nem ônibus, sobrevivi (duas semanas com as duas pernas engessadas) e fui tentar recuperar o valor do carro, dado como perda total. Diante do juiz, defendi o valor do fusca, enquanto a empresa dona do caminhão ofereceu 20% dele. Quando o juiz propôs uma “divisão do prejuízo”, chiei: precisava comprar outro carro!… O garotão sarado da Zona Sul, que era o juiz, deu uma folheada enfastiada no processo, que evidentemente não leu, e fez umas nada sutis alusões ao fato de que seria melhor para mim aceitar a proposta: afinal, eu também podia perder o processo, e ainda pagar custas etc… Generoso, o causador do acidente propôs 30% do valor, gesto que o juiz-garotão apreciou. Engoli em seco, aceitei a mixaria e me virei uns meses a pé…

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A mão pesada da Justiça tem seu preço…

Podem ter sido aplicações específicas da mão pesada da Justiça, mas, de resto, no geral, não é difícil fazer algumas observações amargas (mas, haverá as doces…) sobre a presença dos representantes do poder jurídico na sociedade brasileira:

1) é uma organização que descende diretamente do sistema colonial de poder, acrescido de normas mais modernas, imperiais e republicanas, não necessariamente as melhores…

2) corresponde, como um resumo da nossa sociedade, a uma área de exclusão social e étnica, com funções quase inacessíveis a pessoas oriundas de setores desfavorecidos da sociedade, e são poucas as exceções em relação ao quadro geral do país, vejam-se fotos de formatura de turmas de advogados…

3) é um centro de ideologia conservadora e elitista, e volto a dar um exemplo, porque me fez lembrar minha mais recente conversa com um juiz, outro garotão, um pouco mais velho, que defendeu (e ainda bem que não julgava o caso…) a substituição do Complexo Esportivo Caio Martins, em Niterói-RJ, por um shopping center de 10 andares, “mas pode ter um campinho lá em cima”…

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Palácio da Justiça do Estado RJ.

4) a ostentação generalizada, com farta utilização de dinheiro público, evidente na proliferação de instâncias de julgamento (uma boa reserva de mercado…), na manutenção persistente do nepotismo (desembargadoras precoces estão na última moda…), no uso de uma linguagem praticamente ininteligível ao leigo (que somos nós) e, sem me estender demais, na construção exuberante de brilhosos Palácios de Justiça, superfaturados ou não, Brasil a fora…

Em suma, tornou-se uma estrutura que parece obsoleta, irracional, absurda, ainda que leve alguns dos seus membros e praticantes amadores à beira do orgasmo… Reconheçamos, é justo nesta hora que a herança e a tradição só atrapalham…

Então, se me levam a sério, uma proposta: que tal fazer, criar, votar, produzir, de alguma forma, uma “constituinte jurídica”?… Uma ampla, geral, irrestrita (epa!) e principalmente objetiva Constituinte Jurídica. Uma Constituinte Jurídica de base popular e efeito universal, para, simplesmente, fazer um sistema de leis básico, simples, lógico, ainda que partindo das atuais, mas apenas nos temas. Um conjunto de normas que seja a reescrita dos atuais Códigos e Legislações em termos claros, com determinações diretas. Um conjunto de leis que passe a reger o país e deixe para trás toda esta carga pesada (e emaranhada) de direitos romanos, manuelinos, portugueses, imperiais, republicanos, neorrepublicanos e outros…

Está certo, deve dar uma complicação danada… “Não está na jurisprudência”, “não cabem constituintes específicas”, sei lá quantas outras restrições levantarão, não vou nem falar em grana… E armadilhas não faltariam. Correríamos o risco de ter uma Constituinte Jurídica dominada pelas mesmas forças corporativas que controlam nosso Judiciário (e tantas outras instituições brasileiras).

Assim, não poderia ser formada exclusivamente por doutos nas formas jurídicas (o que já nos pouparia muito tempo…), mas por profundos especialistas no conteúdo prático das leis. Ou seja, que os constituintes fossem juízes oriundos do povo ou ligados ao povo, mestres da sabedoria popular, que trouxessem esta sabedoria às leis. Naturalmente, “data vênia”, as formas de discussão e de aplicação desta nova Justiça também seriam definidas. Por via das dúvidas e porque estamos escaldados pelas “reformas” políticas, se criaria uma boa forma de controle externo deste novo Judiciário. Se as pessoas continuam as mesmas mesmo depois das mais profundas revoluções, imagine em uma simples reforma jurídica…

Começar por uma nova Justiça, uma boa maneira de refundar o Brasil.

Começar, mesmo, de novo, que a atual Justiça brasileira, apesar de condenada pelas próprias incongruências, certamente jamais, graças a ações protelatórias infinitas e indefinidas, cumprirá sua pena.

Uma pena: quem a cumpre é o povo…

D. Nylza pertinho do céu

Nestes dias, o bondinho do Pão de Açúcar completa 100 anos.

Por mais que o acesso seja um monopólio (certamente lucrativo, mas nem tão eficiente assim), o Pão de Açúcar, além de marca da cidade, é um bem público.

Cabal, da série Pão de Açúcar Tempo Todo

A sua apreciação, pelo subida ao topo ou visão da figura (de quase todos os pontos de vista da cidade), é tanto um direito coletivo como um prazer pessoal, sabem muito bem os cariocas e os turistas.

Não é à toa que D. Nylza, minha mãe, lamentava ter perdido, no distante ano de 1958, a chance de conhecê-lo de perto…

O momento era favorável. Seu Oscar, meu pai, vinha faturando bem. Era um bom negócio ter caminhão naquela época (os “50 anos em 5” de JK) e os filhos mais velhos já começavam a seguir seus passos. Muito trabalho, semanas pelas estradas sem dar notícias, mas sobrava algum…

1949 Plymouth Special Deluxe Convertible

Tanto, que comprou um Plymouth 1949 amarelo conversível (este, na foto, está à venda por apenas US$36,900 em Orange Village, Ohio, EUA).

Foi também proprietário de uma das primeiras televisões do calmo subúrbio carioca de Brás de Pina, na qual assistiu, com a sala cheia de televizinhos, feliz da vida, à vitória do seu América, campeão do I Campeonato do Estado da Guanabara, em 1960.

São Lourenço – fonte Vichy

E tirou férias!… Levou D. Nylza e os filhos menores para passar uns dias (ficamos num hotelzinho modesto, comidinha boa…) na estância hidromineral de São Lourenço, MG.

E deu uns passeios pelo Rio…

No Corcovado, ao que lembro, estrada e estacionamento apertados, muito calor, altas escadarias, tudo bem!…

Mas, no Pão de Açúcar alguma coisa não deu certo…

Na versão de D. Nylza (de vez em quando relembrada), fui eu que não quis subir, tiveram que desistir. Eu não lembro bem, tinha sete ou oito anos, mas é certo que nessa época criança não tinha tanta autonomia assim… Tenho a impressão de ter sido um gesto de solidariedade a Seu Oscar, que refugou já na fila, não sei se por medo do bondinho, para economizar algum (era econômico…) ou por mero cansaço.

Seja como for, nunca é tarde para ser feliz!

É o que se pode ver neste vídeo, estrelado pela própria D. Nylza!


 E é ela mesma quem explica o título:

E, com apoio de filhos, noras e genro, netos, bisnetos e tataraneto, D. Nylza, apesar de alguns percalços, continua a sua viagem…

Uma homenagem
aos 100 anos do bondinho do Pão de Açúcar
e, muito mais, em vida, à vontade de D. Nylza de viver a vida.