Pular navegação

O surgimento da República Empresarial se tornou evidente no mandato de Fernando Collor, na virada dos anos 90, ainda que a gestação tenha sido abortada… Foi candidatura e governo que, devidamente inflados pelos porta-vozes da dominadora corrente internacional do neoliberalismo, deixou campo livre para o empresariado, ainda que cobrasse pedágios tão caros… Que Collor exagerou é fato: logo perdeu seus créditos junto aos comunicativos poderes que construíram a sua imagem.

Sim, terá havido sinais da República Empresarial em momentos anteriores da nossa História, só que neste momento, o contraste foi muito evidente: Sarney era de uma era pré-empresarial, como demonstra, até hoje, o seu vasto domínio maranhense…

Itamar Franco pode não ter entendido muito bem o que acontecia, mas não deixou de receber a devida colaboração da República Empresarial, à época interessada em apurar o foco e deixar toda uma inflação de interesses desencontrados para trás.

Mas, é em FHC, enquanto os negócios crescem e se abrem todas as portas econômicas do país, que o corpo simbólico da República Empresarial se corporifica, assumindo um ativo papel de mentora de ideias, cujo bom exemplo é a Lei Rouanet. A partir daí, enquanto o povo paga a conta, as empresas passam a dirigir a cultura, o que até parece piada para quem critica (e também para quem aplaude) qualquer tipo de “dirigismo”… O simbólico tem o seu público e sempre recebe aplausos, mas a realização concreta (e dura) do poderoso espírito da República Empresarial será mesmo imposta através das mais espertas privatizações, uma espécie de imposto ao contrário… É quando a empresa passa a ser um braço (o mais “malhado”) do governo. Talvez por isto, fica cada vez mais forte: o Estado se encolhe diante dele…

É certo que para tal conceito não há, ainda, ciência completa… Os tempos são outros e estes poderes vão assumindo novas formas e mais eficiência. Embora disfarçadamente aceitem o legado formal de antigas revoluções políticas, querem ser reconhecidos. Procuram ser sistema de governo (daí, “República”), dispensando-se de ser organização partidária ou poder institucionalizado. É antes (e muitas vezes não passa de) um conluio, uma ação entre amigos. Ou, uma rede social, embora não seja nada virtual quando o dinheiro rola… Nela, as empresas não fornecem serviços aos governos, estes é que estão a serviço das empresas. A base política da República Empresarial é o político dominado, o aproveitador dos confortos que a grana traz, o bom rapaz que se diferencia de suas origens pelo caráter, pelo oportunismo e pela boa conversa ao vender (e defender) o peixe pré-embalado dos projetos que as empresas vão criando e que eles apresentam como seus…

Lula não mudou o quadro. Suas origens criaram dúvidas, mas logo a República Empresarial o “enquadrou”, pela imediata ameaça, nos primeiros meses, de desorganizar o país, ah, a lembrança de Allende!… Afinal, Lula é sindical, conhece o jogo: não só os ganhos, mas também os riscos… É claro que há reviravoltas e crises pelo mundo e houve perdas para a República Empresarial. Aqui, nas internas, ressurgiram políticas de Estado, do social ao industrial, que, à custa de descaracterizações altamente democráticas, tiveram relativo sucesso, não tanto no resultado, pelo menos pela implantação.

Da preponderância da República Empresarial nos negócios do Brasil há cachoeiras de exemplos… O planejamento se transformou em colchas de retalhos: os empresários costuram e os políticos anunciam como realização pessoal. Sendo o local universal, basta observar os transportes no Rio de Janeiro. Há empresários das barcas da baía de Guanabara concorrendo com eles mesmos nas linhas de ônibus da ponte Rio-Niterói… Há concessionários de metrô que emendam duas linhas e tumultuam a operação, mas ganham prorrogação da concessão em 20 anos e, ainda mais, a expansão até a Barra, o que evita nova licitação… Há a completa ausência de previsão de implantação do metrô em áreas de expansão da cidade, como no Porto Maravilha, onde os projetos imobiliários multiplicarão a presença humana, com muitos prédios “de até 50 andares”… 

A República Empresarial se sustenta na sensação (que passa…) de alta produtividade. A empresa privada é dita sempre mais eficiente e útil que o paquiderme estatal, pena que o critério seja a mera exploração do alheio… Afinal, no correr dos tempos, o embalo da República Empresarial se mantém pelo apelo ao Progresso, este insepulto cadáver que o Capital exibe à frente de seus exércitos de cobradores.

De tão ilustre defunto saem os miasmas que envenenam o mundo, por mais que plastifiquem a desequilibrada realidade social ou insistam na defesa de uma insustentável expansão econômica. No ambiente local, neste sentido do questionamento do progresso, não há, infelizmente, progresso: Dilma reza por esta mística… E espera que o pré-sal (com o luxurioso auxílio de todas as commodities) a sustente. 

—————-

—————-

—————-

Esta postagem é uma homenagem ao parceiro Bruno Cartier Bresson, que se foi.

O texto foi escrito há alguns anos, para um projeto ainda não completado,

histórias de algumas das minhas fotos.

.

.

Ali perto, a guerra…

Até que enfim, uma viagem internacional!

Nada de golpe de estado, viagem de presidente ou jogo de seleção, muito menos Olimpíada ou Copa do Mundo, infelizmente… Na verdade (e fica até difícil confessar…), não passava da inauguração de um shopping-center… Sim, mas não em Madureira ou Cachambi, onde, para cobrir o acontecimento, bastaria entrar na Brasília bege da reportagem e pegar a Av. Brasil. Não, dessa vez uma inauguração internacional, não suburbana… Entre os cento e tantos convidados que lotavam o Boeing fretado, lá estávamos nós, eu e o repórter Bruno Cartier-Bresson (só esse nome, de um fotógrafo mitológico, ao meu lado, já me deixava nervoso…), e, como convidado muito especial, Walter Fontoura, diretor do Jornal do Brasil (mais essa responsabilidade…). E ainda viajávamos cercados por quase o PIB inteiro, empresários brasileiros curtindo a mordomia da construtora do Shopping Center Parque Arauco de Santiago do Chile, que ao ser inaugurado, nota-se, já teria dado um bom lucro…

Assunto para o meu parceiro, agitado repórter de economia com nome de gênio da fotografia, porque, para mim, já me bastavam a emoção da cobertura internacional, a preocupação com a transmissão das fotos, essas aflições… Pelo menos dessa vez não precisava levar o equipamento de telefoto e laboratório portátil, que seriam duas malas a mais na bagagem… Melhor ainda, nada de transformar o banheiro do Hotel Sheraton em laboratório, enlouquecer as telefonistas com meu portunhol, ficar horas transmitindo… A chefia tinha tido a brilhante idéia de pedir à UPI um apoio do escritório deles em Santiago. O esquema estava todo montado. Como a solenidade acontecia à noite, passaria as fotos no dia seguinte, calmamente.

A festa era grandiosa, o momento solene. Presentes ao local, além do prefeito de Santiago, nada menos que dois dos três membros da Junta Militar, que governava o Chile desde o golpe e a morte de Salvador Allende, em 1973. Estávamos em 1982 e Pinochet não compareceu, talvez cansado dos excessos do poder, pensei eu. Uma oportunidade perdida… O dia era exatamente 1º. de abril e, na verdade, ele devia ter outras preocupações. Aquela inauguração significava muito pouco em relação ao que estava começando a acontecer do outro lado da cordilheira…

Eu também não estava muito tranqüilo… Tantos convidados vips no lobby do hotel, tanta elegância e ostentação, tudo isso resultando em muita demora na definição dos lugares nos carros da comitiva, o que, acrescido do enervante engarrafamento até o bairro emergente e distante, acabou me deixando, ao chegar atrasado alguns minutos, diante de uma multidão aparentemente intransponível no pátio do estacionamento do shopping. Mas, como se pode ser um bom fotojornalista sem ter um pouquinho de sorte?… Os auto-falantes exageram uma música estilo marcial e, como mágica, pararam todos, me senti numa espécie de brincadeira de Mandrake coletiva. Encantado, me esgueirei pelas pessoas, com seus brilhantes vestidos de noite, seus ternos pesados e alguns uniformes militares, como um caçador entre as árvores de uma floresta petrificada, até o pé do palanque. O hino terminou, terminaram os discursos e, não tendo sido preso por desrespeito aos símbolos oficiais do país, consegui fazer meu trabalho: fotos do relógio ornamental (e musical) de 9m de altura, do corte de fitas inaugurais de várias lojas, dos membros da Junta passeando pelos três andares do shopping…

No dia seguinte, começo da tarde, estávamos na UPI, os filmes sendo revelados. Escolhi umas três fotos que sintetizavam a história, não teria espaço para mais que duas, e enviei. Pronto: tarefa cumprida, fácil até demais… Curtíamos, então, a cidade. Da janela podia ver, alguns andares abaixo, o Palácio de La Moneda. Numa linha que passava por nós, via na parede lateral do escritório, emolduradas em vidro, marcas de balas de fuzil, lembranças do golpe de 1973. Estávamos de novo num ambiente altamente jornalístico, depois do “social” da véspera. Talvez por isso, a notícia de repente nos invadiu: a Argentina acabava de invadir as ilhas Falklands. Diriam os chilenos, como logo passaríamos a dizer, as ilhas Malvinas.

Em dois minutos, ou talvez um pouco mais (o fato é que o tempo passou a correr mais rápido…), uns dez jornalistas apareceram, não se sabe de onde, e formou-se, em torno de um grande mapa da América do Sul, uma reunião de alto-comando, prenhe de decisões. Podia-se pensar simplesmente em ir para Buenos Aires e se incorporar às forças invasoras, mas, talvez por aí o acesso ficasse um pouco congestionado, os próprios jornalistas argentinos, os uruguaios, até brasileiros… Uns achavam melhor alugar um avião, seguir até Concepción ou, melhor ainda, Puerto Montt, uns 1000km ao sul, cruzar os Andes e a Patagônia até Comodoro Rivadávia, quase em frente às Falklands, digo, às Malvinas, e, com mais uns 800km sobre o mar gelado, descer em Port Stanley, a essa hora já rebatizado como Puerto Rivero.

Ajudamos a definir, eu e Cartier-Bresson (se é que ele queria fazer jus ao nome…), que era essa a melhor idéia. Precisaríamos apenas de um avião de uns oito lugares, talvez dez. A essa altura, alguém já tinha ligado para o aeroporto e reservado um. Hora de fazer contas, definir responsabilidades. Documentos e equipamentos nós tínhamos, era só pegar no hotel, podíamos viajar na mesma tarde. Faltava calcular os custos. Bem, ficaria, para cada um, nós, os da UPI e uns chilenos, qualquer coisa entre 10 e 40.000 mil dólares (preços são muito voláteis em tempo de guerra). De qualquer modo, barato… Afinal, estávamos muito mais perto. Imagine quanto sairia para o jornal mandar uma dupla, repórter e fotógrafo, do Rio de Janeiro até a Patagônia?… E o tempo que levariam?… Estávamos ali, pertinho. Quanto?… Até 40.000 dólares?… Sem problema, tínhamos lá no hotel um dos diretores do jornal. Não exatamente o Nascimento Brito, o dono, explicamos, mas, ainda assim alguém que mandava. Crédito?… Não faltaria. No aeroporto, às quatro horas?… Fechado. A gente se encontra lá.

Partimos batidos para a necessária primeira etapa da viagem: falar com o Walter Fontoura no hotel. Não era tão longe que precisasse de táxi e a euforia pedia mesmo uma conversa empolgada a passos largos, assim fomos caminhando, quase correndo a princípio, pelas ruas movimentadas de Santiago. Curioso é que, de alguma maneira, o hotel foi ficando longe, ou seríamos nós diminuindo o passo? A conversa também passou a ficar mais preocupada, íamos agora devagar, as dúvidas seguindo à nossa frente… O avião teria autonomia, passaria bem a cordilheira, cruzaria fácil o Atlântico?… Os argentinos abririam as portas, os ingleses ficariam recolhidos?… O jornal aceitaria a proposta?… O diretor, nosso trunfo, bancaria?…

Nosso diretor de plantão não estava no hotel, fazia um tour pela cidade com a mulher e alguns empresários. Achamos justo ligar para a tropa reunida na UPI e avisar que estávamos negociando, talvez nos atrazássemos um pouco. Não, claro, se não pudessem esperar, a gente entenderia… Mas, parece que a viagem teria mesmo que ser adiada para o dia seguinte, viajar à noite não era muito seguro… As notícias também pareciam mais interessantes em Buenos Aires: multidões em pranto diante da Casa Rosada, o presidente Leopoldo Galtieri aclamado por mandar cinco mil homens invadir as ilhas, bilhões em petróleo incorporados ao território argentino…

Encontramos Walter Fontoura à noite, a caminho do jantar, o buffet do hotel era ótimo… Comentamos vagamente sobre um plano de alugar um avião e tentar chegar às Malvinas, ex-Falklands, pelo sul do Chile. Ficava um pouco caro, mas, dividido com jornalistas locais… Ouviu com certa paciência. Estava a par das notícias, tinha falado com a sede. Ah, o Jornal do Brasil tinha mandado o Luiz Cláudio Latgé para Buenos Aires?… É, concordamos, não deixava de ser uma boa idéia. Certo, nós ficaríamos uns dias em Santiago fazendo matérias de economia, mas acompanhando os acontecimentos, observando as reações do governo do Chile, que tinha com a Argentina o velho contencioso do canal de Beagle. Claro, o tempo podia esquentar…

Passamos para um hotel duas estrelas, tinha acabado a mordomia da construtora. Ficamos uns dias circulando pela cidade e redondezas, fomos até Portillo ver a neve da cordilheira, assistimos um discreto show de protesto de um irmão de Victor Jara, cantor e compositor morto pela ditadura. Voltamos depois de quatro dias e fizemos uma matéria de uma página para a Economia. A guerra continuou ali do lado, lemos nos jornais. Também não durou muito, mas não por nossa causa…


São lembranças distantes… Após aqueles tempos do JB, anos 80, poucas vezes nos vimos, mas as boas parcerias medem-se mais pelo entendimento (e divertimento) do que pela continuidade.

Volto a lembrar um momento especial da viagem: a noite em que eu, metido no mesmo casaco balofo da foto, e o Bruno, com sua elegância quase aristocrática, fomos, por iniciativa dele, assistir o irmão de Victor Jara cantar suas músicas censuradas, em um bar quase clandestino, na parte antiga de Santiago, em plena ditadura da Junta Militar.

Um pequeno gesto de solidariedade a um povo massacrado, até economicamente, como passou, se bem me lembro, nas matérias que escreveu.

Na abertura da exposição Véus do grande Walter Firmo  no Ateliê da Imagem (que recomendo!), uma das primeiras do FotoRio 2011, entrei numa discussão com dois velhos parceiros, Vera Sayão, fotojornalista e historiadora dos fotógrafos brasileiros do século XIX, e Cesar Cardoso, o Cesinha do Sarau, grande compositor popular da mais alta literatura fotográfica, posto que, não satisfeito em ser ótimo nas letras, anda se tornando ótimo também nas lentes…
O tema da discussão (nada bizantina, bem brasileira) eram os chamados “direitos autorais”, além de outros direitos (de imagem etc) e a falta de atenção que se dá a eles… Simplificando muito, eles basicamente defendiam a manutenção da situação atual, enquanto eu, confusamente, defendia mudanças na legislação. Até para melhorar o meu próprio entendimento, resolvi colocar por escrito as ideias que tenho, sem tanta pressão emocional…
Mesmo que este meu posicionamento assuma formas idealísticas (mas, afinal, o que são as leis, se não cristalizações idealizadas, e sempre idealísticas, de práticas concretas da sociedade e, muitas vezes, de propostas que o legislador supõe ou é convencido que lhe será útil ou correta?…), quero expressar, antes de mais nada, a minha opinião sobre dois extremos do processo cultural (que podem ser tomados como antagônicos): a criação e o acesso a ela.

Defendo categoricamente que a criação seja estimulada, defendida, apoiada e… bem paga!
Uma sociedade organizada, que se queira digna de seu povo, deve criar mecanismos que favoreçam a criação artística, reflexiva e cultural, para ficar só neste nosso específico tema… Colocar em termos práticos esta condição ideal (mas necessária, sabemos bem na hora de pagar as contas…) poderia começar pelo estabelecimento de relações trabalhistas decentes, com um nível mais controlado de exploração do trabalho pelo capital. Talvez uma legislação que, pelo menos, estimule a distribuição de lucros excessivos, antes que eles se transformem em orgias consumistas de famílias proprietárias, e logo me lembro (e sei por quê!) dos Bloch da Manchete e dos Pereira Carneiro do Jornal do Brasil, famílias ainda hoje abonadas, donas de grandes veículos de comunicação que faliram no final do século XX…

Ainda nesta condição ideal de apoio ao criador, a ampliação dos sistemas já existentes, para que distribuam aos criadores, sob critérios socialmente aprovados, toda uma leva de patrocínios, empréstimos, prêmios e outros estímulos (e até ressarcimentos), nem que seja por sorteio ou por um Vale-Arte (você faz sua arte e, se não for trabalho escolar ou tarefa da empresa, vai lá e recebe algum… Só não me perguntem, ainda, aonde e nem quanto…). Os argentinos já deram um exemplo: pensão para escritores.

Na outra ponta, defendo a liberalização do acesso aos bens culturais.
E é aí que entramos propriamente na discussão dos direitos autorais. Indo direto ao ponto (que há nisto muito blablablá), penso que a criação artístico-intelectual é um evento restrito ao âmbito da geração do criador da obra, ainda que (e já me antecipo a alguma chiação…) o produto tenha toda uma referência no passado e possa ter longa e justa repercussão no futuro. O fato é que aquele que, agora, cria o seu soneto, a sua foto, o seu vídeo, este não pretende, com isto, necessariamente sustentar os seus herdeiros… Alguém até dirá que esta é uma visão ingênua, que temos aí toda uma indústria cultural etc, mas aí voltamos ao ponto anterior: a necessidade de relações trabalhistas dignas.
Admito que uma primeira geração de herdeiros tem mesmo, implicitamente, algum tipo de envolvimento com esta criação, ao inspirar o autor (ah, quantos filhos lindos não são retratados?…), ou porque eles passam por certos desconfortos enquanto o autor está concentrado na sua criação, e lembro logo do livro O Feijão e o Sonho, de Orígenes Lessa (leia resumo), que até virou novela…

Ora, isto sugere que, enquanto seus pais tiveram as suas inspirações, estes filhos têm aí um bom material para a criação de suas próprias obras, tipo “Minha vida com papai” ou qualquer coisa assim, sempre com a nossa torcida de que tenham a mesma qualidade…
É evidente que o autor terá, além dos ganhos imediatos da realização, a possibilidade da venda de seu direito autoral para uso

de determinadas empresas, para projetos específicos, mas que este direito se extinga imediatamente após sua morte. Sim, porque a partir daí, não é possível distinguir ou determinar por que razão qualquer pessoa (incluindo filhos, netos, bisnetos e especialmente sobrinhos…) se diferencia de qualquer outra, em termos de direitos sobre a obra (já que não foi quem a realizou), ainda que honrosamente mantenha o sobrenome do autor…
É claro que há necessidade de conservação de originais etc, o que pode até ser um bom mercado de trabalho para os herdeiros (mas nem sempre conseguem o bastante, como se observa, mesmo com os atuais direitos autorais, mas sempre atrapalham muito o acesso…). Este é também um esperado papel do Estado, que, em última instância (ou melhor, logo na primeira!…), deve garantir, para o bem de todos, que a obra não caia no abandono e nem seja impedida de circular. E isto não é complicado, é uma questão de valorizar e multiplicar as instituições arquivísticas já existentes.
Em suma, esta simples percepção sugere que um bom momento para uma obra cair em domínio público, em vez de esperar por 70 anos da morte do autor, seja exatamente a data do seu falecimento. A partir daí, a edição de um livro ou uma versão para TV ou filme passa a ser um negócio próprio de cada empresa, que terá seus ganhos, mas também terá seus custos. E a concorrência das demais empresas será mais uma forma de facilitar o acesso da sociedade.

Abra-se aqui um parêntesis para a discutível questão dos direitos de imagem… Penso (e ganharei, para sempre, inimigos, a maioria advogados, certamente…) que a imagem é de quem a captura. Pode ser cruel, mas é um ato diuturnamente praticado, por exemplo, pelos mais democráticos governos e seus satélites… Por outro lado, não há mais qualquer estranheza nas imagens que vemos, estamos todos virtualmente nus… É, aliás, um conceito que transferiria com tranquilidade para a discussão sobre biografias não autorizadas. No fim das contas, até mesmo as vidas privadas pertencem ao social, como fica evidente nas catástrofes e nas tragédias. Tudo pode mudar a qualquer hora, mas estes pruridos e resistências não estão em consonância com os nossos tempos: alguém ainda é vitoriano aí?…
Os amigos levantaram ainda o argumento de que, pelos nossos costumes e leis, as propriedades e outros bens pertencem à família e, daí, aos herdeiros. Tudo bem, meu bem, mas cabe diferenciar bens e bens…

MAC de Niemeyer e Pão de Açúcar – Guina Ramos, 2001

Bens patrimoniais são coisas concretas, associadas à sobrevivência pessoal etc e têm valor por si só, não interessa o autor, nem precisam de grife… Basta lembrar que ninguém pensa na ideia de pagar direitos autorais ao arquiteto (ou à família dele) a cada vez que uma casa é vendida ou a cada vez que um prédio é citado ou fotografado… Talvez fosse o caso de colocar este exemplo nos termos da atual legislação autoral e aí o Oscar Niemeyer seria o homem mais rico do Brasil…

Isto confirma a tese de que a obra é um bem intelectual coletivo, que só se torna patrimonial e particular por imposição de espertos interesses intrometidos no sistema econômico em que estamos metidos…
O fato central é que, para criar aquele seu bem artístico-cultural, aquela sua obra, o autor não encomenda o material na loja, nem contrata alguém que assuma a tarefa, e muito menos compra pronto… Ele a produz a partir de toda uma cultura prévia, que pertence a todos e que foi por ele, de alguma forma, assimilada. Ele faz o seu próprio processamento

Sou flamenguista desde os 5 anos de idade, escapei por pouco de ser América (leia  em Grã Decisão: Viradas)… Pois o Flamengo tem ganhado quase tudo nos últimos anos e, há pouco, o 32º. Carioca sobre o Vasco (embora o Flu, por pontos, seja o vice), mas não tripudio…

Porém, dois amigos vascaínos, nem bem o seu time avançou um pouco na Copa do Brasil, entraram numa de curtir com a minha cara, com mensagens engraçadinhas, que resumo:

           

HONRADOS VASCAINOS: VAMO COBRIR DE PORRADA, LOGO MAIS, AQUELES BARRIGA VERDES, massacradores de paraguaios! E olha aí, urubuzada: não adianta secar! Beijão, B.

Isso aí, B!!!!!! Viva o Vascão. Casaca, casaca, casaca. A turma é boa, é mesmo da fuzarca! Vasco! Vasco!  Hoje o Vasco é o Rio na Copa do Brasil. Bjs, M.

Vascooooo!!!!!! E deu vascão 2 a zero e podia ter sido 3 ou 4. Melhor pq foi uma vitória jogando mto bem. Parabéns, B e… Parabéns tb., Guina, pq vc torceu pra gente… Torceu a imagem da TV, pra bola do Avaí mudar o curso e entrar… Mas não deu… B, balance (…) aquela camisa da cruz templária. [Os filhos] vão hoje pra escola, com as respectivas… Presentinhos do papai. Saudoso abraço pra vcs., M.

Eu estava quieto… Aí, aconteceu o que descrevo…

         Amigos,

         Não posso deixar de contar esta história que acabo de viver, quase um exorcismo, que andei sofrendo uma espécie de bullying futebolístico-emocional, sendo aperreado por uns amigos carentes e aflitos por resultados que custam a vir, se é que virão…

         Depois de um dia cheio de investimentos culturais & profissionais promissores, mas inconclusos, resolvi dar a minha habitual relaxada noturna, que geralmente é sopa (ou caldo verde) e caminhei até um cinema/livraria da praia de Botafogo, onde às vezes, alternativamente, filo um coquetel ou uma conversa casual.

         Em lá chegando, nesta 5ª (26/05) encontro o caos: a maior agitação, muitas luzes, um monte de gente, e muitos deles (estranhamente, para o local e a hora) vestindo a, reconheçamos, popular camisa do Flamengo…

         Era simplesmente o pré-lançamento do filme sobre o grande Petkovic, um dos maiores craques estrangeiros (importado da Sérvia, parte da antiga Iugoslávia) do futebol brasileiro dos últimos 20 anos, chamado, o filme, muito justamente, “O Gringo mais querido do Brasil”.

         Muito bom! Agarrei logo uma taça de prosecco e alguns canapés que passavam, e fiquei ali assistindo o gringo Pet dando longas entrevistas…

Era, na verdade, a abertura de um festival dedicado a filmes sobre futebol, o 2º CineFoot, se liguem!

         Eu não tinha a menor esperança de assistir o filme, que conheço a lotação do cinema (entrara, no sufoco, na abertura do ano passado, um documentário excelente sobre João Saldanha), e fiquei ali, ciscando…

         Eis que encontro um colombiano esperto, que está sempre nos bons eventos, que me diz: “Vai lá e diz que é amigo do A, que te arrumam um convite”. Ora, sou mesmo (ou, pelo menos, já fui) amigo do A!… Fui vizinho dele no Humaitá, 15 anos atrás, e ele, especialista em aprovação de projetos incentivados, até me fez, uma vez, a gentileza de formatar um dos meus (que lhe pedi descaradamente um auxílio), que pude aprovar na Lei Rouanet, sem jamais conseguir patrocínio…

         Fui lá na mesinha, falei com uma garota com a camisa do Festival e ela de imediato abriu uma lista de 3 páginas e começou a procurar (inutilmente…) o meu nome. A outra me perguntou: “Você confirmou?”… Eu, sabendo que não havia a menor possibilidade de meu nome estar ali, respondi, insolente mas carinhoso: “Puxa, quantas vezes é preciso confirmar?…” Ela apenas sorriu, toda desculposa, enquanto a outra continuava febrilmente à procura do meu inexistente nome… Resolvi dar uma olhada na lista, já inventando uma desculpa qualquer, e, pronto!, vi um nome salvador: M, um respeitado especialista em questões sócio-esportivas. [aquele mesmo dos e-mails provocativos...]

         Declarei peremptório: “Olha, se não está achando, não tem problema… Pode me dar o convite do M, que ele não veio. Não está aqui, já vi todo mundo”. Fez efeito… A garota (aliás, a própria filha do A…) me olhou, séria, e disse: “É mesmo, ele não veio.”. Ah, aí eu arrasei: “É claro! Se ele estivesse aí, já teríamos visto aquela careca simpática há muito tempo!”… Concordância geral: recebi no ato o meu convite para ver o filme!

         Não sei que lições tirar deste inesperado acontecimento, deixo para os comentaristas. Só sei que entrei todo lampeiro na sessão…

         Não aconselho o filme para os não flamenguistas… A menos que tenham olhos abertos para o futebol criativo e o espírito esportivo desenvolvido ao mais alto grau.

Tem até um “momento Vasco” (diga-se de passagem, o Pet foi um dos heróis do último título bacalhoal, no longínquo 2003…) e um outro “Flu de passagem”, fora outros percalços, que não se ganha sempre na vida…

         Mas, na real: 20% do filme é Estrela Vermelha, da Sérvia, e 75% é puro Flamengo, delirante, apaixonado! Tava lá a torcida em peso, na tela e na platéia. Estava até, merecidamente, a nossa presidenta, que também temos uma, toda Patricinha.

         Assisti empolgadão!… Tava pulando que nem quero-quero em campo de futebol… No final, só não tirei foto com o nosso ídolo campeão de 2001 (aliás, contra o Vasco, gol de falta, aos 43m do 2º. tempo, eu sei que vocês lembram…)

e de 2009 (Hexa nacional!…)

porque tenho senso de ridículo, e, além disto, bolas!, não levei a câmera, que nem sabia que ia entrar de repente naquele antro rubronegro!…

        Mas, cumprimentei o Pet, fiquei quase amigo de infância dele, e, flamenguístiscamente, agradeci por tudo, e muito mais, que foi demais!…

         Ufa, tomei mais uns birinaites e voltei, levizinho, direto para este teclado, não podia deixar de curtir (e dividir) esta alegria com vocês antes de dormir…

         Bjs, abs e saudações rubronegras para todos,

         Guina

         Nos acréscimos…

Em 2001, recem separado, assisti ao primeiro jogo da decisão no apartamento que passei a dividir com novíssimos amigos. O Vasco ganhou e um deles “encarnou” em mim até cansar… Decidi que não veria ao lado dele o jogo final. Consultei minha ex-esposa sobre assistir na minha ex-casa, junto com ela e meu ex-enteado, ambos flamenguistas. Iam viajar, mas, como ainda tinha a chave, me autorizou a assistir lá.  

Foi um momento zen: a atenção, a tensão, o gol aos 43, o tricampeonato.

Saí dali (justo do Humaitá, vizinho de A…) e fui descendo Botafogo, vendo o povo comemorar, a alegria se espalhando pelas ruas.

No meu novo apartamento coletivo no Flamengo (justo no Flamengo!), ninguém em casa. Apenas o silêncio, a paz e o bem.  

Nunca mais, nunca mais…

Sempre fui um ouvinte casual de música (e não da estrangeira, necessitava entender o que era dito). Ouvia a música que tocasse no rádio, não questionava muito. Música, para mim, era mesmo um fundo musical, sempre fui meio analfabeto no assunto. Quando digo que o único instrumento que toco é campainha de porta estou sendo sincero.

Conseguia diferenciar, sim, a bossa-nova dos outros ritmos, mas mal distinguia cantores de cantoras, todos cantavam baixinho… A exceção era Dorival Caymmi, mas pode ser uma certa identificação com aquela coisa baiana, aquele relax existencial… Lembro de um programa da TV Tupi, lá pelos meus oito anos, altas horas da noite, minha mãe me mandando dormir, o baiano deitado na rede com seu violão, entre redes de pescar e coqueiros de papelão. Alguma mágica devia haver na música, mas achava que gostava das historinhas, os pescadores que saíram pro mar na quarta-feira santa, os clarins da banda militar, a morena que se pintou… Já esse outro baiano, João Gilberto, com suas histórias impessoais, deixara apenas um vago registro, como se suas músicas, hoje clássicos, fizessem parte do inconsciente coletivo. Logo viriam outros baianos e depois novos baianos, mas, aí, já não era mais aquela infância…

Então, em 1979, bastante adulto, estava eu, com a máquina fotográfica em punho a serviço da revista Amiga, diante de João Gilberto em pessoa. O agora mito João Gilberto, em uma de suas raras aparições neste ensandecido Brasil que trocara por New York, ensaiando para um show no Canecão. Estava bem ali no meio do palco, dentro de um círculo de luz, sentado no banquinho, o violão na mão, vestindo seu paletozinho, penteadinho… Uma concessão, sem dúvida. Um privilégio.

Nós fotografávamos do próprio palco, mas de fora do círculo, da escuridão que tomava conta de tudo. Cristina Zappa, minha professora de inglês no curso da ABI, agora fotógrafa estagiária de O Globo, mais neófita do que eu, se mostrava nervosa. Podia ser apenas síndrome de fã, ela nunca me confessou nem uma coisa nem outra… Eu também tinha vivido alguns momentos de nervosismo, de tremer mesmo, no meu início na Manchete. Tinha vencido tais barreiras justamente para estar ali, naquele momento, à frente de João Gilberto. Enquanto ele ajeitava as cordas do violão na ilha de luz do palco, eu colocava uma 135mm e media a luz. Lúcia Leme, repórter consagrada, minha parceria na empreitada (ou melhor, eu dela…) conversava, entre as mesas, com a produção e outros jornalistas. Era apenas um ensaio, mas dava para sentir uma emoção no ar. E talvez, também, alguma aflição…

João Gilberto parecia tranquilo. Dedilhou o violão, cantarolou dim-dim-dom-dom (ou qualquer outra de suas genialidades musicais) e falou qualquer coisa a alguém. Este alguém, num gesto, conseguiu silêncio total e João Gilberto começou a cantar. Cantava qualquer coisa, um barquinho, um cantinho, um violão (é impressionante o que não se ouve quando se está fotografando, e o pior é que geralmente são as melhores músicas…), tocava qualquer coisa, dim-dim-dom-dom, eu estava gostando, ele tocava… Até que simplesmente parou.

Parou. O silêncio continuava. Todos atentos, reverentes. Balançou a cabeça, olhou para a escuridão do fundo do salão, baixou a cabeça e voltou a tocar, dim-dim-dom-dom, cantou mais um barquinho, um cantinho… Até que parou outra vez e falou.

O fato é que João Gilberto falava muito pouco. Quando falava, e era pouco, falava baixinho. Quando falava alto, aí, era um acontecimento!…

Pois João Gilberto parou de tocar e falou alto. Falou para a escuridão lá do fundo:

- Olha, não está bom não!

Uma voz nas trevas respondeu qualquer coisa e João Gilberto falou outra vez:

- Eu sei. Mas não está bom não.

Dava para perceber que a voz nas trevas se esforçava para explicar qualquer coisa. João Gilberto propôs:

- Faz o seguinte: baixa um pouco.

Ou “sobe” ou “aumenta” ou “diminui”, uma ordem cifrada dessas. Só sei que “esquece” ele não falou… João Gilberto tentou resolver o problema, sou testemunha, posso jurar. A voz ao fundo, um pouco sumida, disse OK e João Gilberto voltou a se concentrar no violão. Dim-dim-dom-dom, um banquinho, um violão, nosso amor, uma canção, dessa vez eu acho que ouvi..

"Nunca mais, nunca mais..."Ou talvez não… Mas, que importa, estava eu lá interessado na música?… Não, não estava. Estava interessado nas reações de João Gilberto. Notei que começava a se contorcer. No princípio, só um pouco, o tronco, os ombros, mas, aos poucos, passou a mexer as pernas abaixo dos joelhos, girando o pé na ponta do sapato enquanto tocava e cantava. E o rosto… Percebi uma cara feia qualquer, ainda que fugaz.

Parou de novo. Baixou a cabeça sobre o violão, notei que suspirou. Voltou a falar, de novo em voz alta, lá para o fundo negro de onde vinha o jato de luz:

- Olha, não ficou bom, não. Ficou pior… Faz o seguinte: volta como estava.

Pronto, pensei, o problema estava resolvido. Não ia ser o ideal, o máximo do som, como João Gilberto queria, mas seria o bom, o aceitável, o público iria gostar… Para mim, por exemplo, podia ficar de qualquer jeito, alto ou baixo, mais ou menos, estava bom o tempo todo. Mas, se ele fazia questão, tudo bem, era só voltar ao que estava antes: ele tinha razão!…

A voz lá do fundo disse OK. Silêncio. Cumpre-se o ritual e João Gilberto recomeça a tocar, acho até que voltou a cantar um barquinho vai, a tardinha… Ah, parou!… Parou e caiu em silêncio, ensimesmado. Ficou ali emborcado sobre o violão algum tempo. Não dá para saber quanto porque estava tudo parado… Respirou fundo e falou lá para o fundo:

- Não, não… Não era assim que estava. Agora, ficou mais alto.

Ou “baixo”, ou “maior” ou “menor”, um problema desses… João Gilberto não parecia contente. Ficou olhando fixamente o foco de luz (ou a escuridão?…) por um tempo, até que a voz cavernosa garantisse que, agora sim!, estava no ponto. Ou nem tanto, que apenas voltaria ao que estava antes. João Gilberto pareceu aceitar, uma tristeza no olhar…

Tudo de novo, o ritual. Eu, com meu dedo colado no disparador. João Gilberto começou a tocar, dim-dim-dom-dom. Eu senti que havia uma aflição saindo daquelas cordas. Ameaçou cantar um barquinho, o mar, a onda… A tardinha caía, seu rosto se desfigurava, eu batia fotos, sentíamos todos uma dor…

João Gilberto parou de tocar. João Gilberto baixou a cabeça. Acho que tinha uma lágrima nos olhos. Ou eu, eu não conseguia ver bem… Ficou ali, no centro da luz. O silêncio dominava a escuridão. Até que começou a balançar a cabeça, de lado a lado, por sobre o violão. E se ouviu a ladainha:

- Nunca mais, nunca mais!…

Parecia que ia chorar… Balançava a cabeça de lado a lado, desalentado: nada… De repente, insistiu em tocar, apertou as cordas com mais raiva do que fé: nada… A cada acorde, um esgar, uma careta: nada… Tudo aparentemente certo, um banquinho, um violão, mas o som…

- Nunca mais, nunca mais!…

A voz lá no fundo prometeu qualquer coisa, disse que agora sim, qualquer coisa, mas João Gilberto, catatônico, continuava:

- Nunca mais, nunca mais!…

E eu ali me sentindo o pato… Não era muito mais do que isso o que sabia de João Gilberto: bossa-nova, o tal banquinho, o violão, um barquinho, o pato… Agora, estava ele ali, na minha frente, sob a minha mira fotográfica, e era um mito arrasado, um baiano triste, um banquinho manco, um violão rachado, um som quebrado…

Para mim, estava bastante bom, estavam bastante boas as fotos. Até a música estava boa. Mas, que o sentimento era forte, que o momento era cruel, até eu, analfabeto musical, podia sentir. Vi logo que ia dar uma página dupla na Amiga, uma foto ou outra na Manchete. Que essa história ia ser contada em prosa e verso, transformada em filme, lembrada para todo o sempre enquanto existisse um banquinho, um violão, um amor, uma canção…

Não houve mais o show. João Gilberto cancelou, mais abatido que indignado. Houve celeuma, fãs protestaram, jornais criticaram, uma parte parece que processou a outra, parece que vice-versa, sei lá, dizem mesmo que a ditadura teria acabado mais cedo por causa disso…

Virou até literatura: Sérgio Sant’Anna, desencantado mas sarcástico, contou a história no conto (e livro) “O concerto de João Gilberto no Rio de Janeiro”. Depois de um certo voo de imaginação, decretou: o não-show de João Gilberto no Canecão teria sido, afinal, o show de João Gilberto que o Rio de Janeiro merecia. Pode ser… Mas, hoje eu sei: eu mesmo não merecia.

Para se ver quão traumatizantes foram os fatos.

Deu para sentir, eu estava lá…

Guina Ramos

da série A Outra Face das Fotos

-x-

Dia 23 de Abril é não só o Dia de São Jorge, saravá!, bem como, suspirai!, o Dia das Rosas e ainda, sempre alerta!, o Dia do Escoteiro.

E mais… para a UNESCO, surpresa!, o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor!

Para comemorar este muito justo Dia do Livro (enquanto não temos o Dia do e-Reader…), reabro este blog dedicado à causa, publicando um texto sobre um amigo amigo dos livros, e seus livros.

.

Buriti no Asfalto

A
Marcos Vinício Ildefonso Cunha,
na inauguração de Buriti Sebo Literário.

Ele é um rapaz que, como eu, ainda ama os livros, as fotos e os sons…

[Bem, é bom que se saiba que este texto não é exatamente um Relato Biográfico (Akira Kurosawa, Estação Liberdade, R$ 20,00), mas não deixa de ser algo parecido... Não é também uma lista de preços, mas pode ser até que sirva para tal...]

Ele era apenas um cara que chegou na sua hora a este insensato mundo. Não era um dos primeiros Conquistadores e Povoadores do Rio de Janeiro (Elysio de Oliveira Belchior, Brasiliana, R$ 15,00), nem vinha do Sertão do Meu Tempo (Deolindo Amorim, Do Autor, R$ 10,00). Mas, teve sua fase de rebeldia, na justa busca de Espaço Público e Representação Política (Maria Pinto Paiva, Eduff, R$ 12,00). Preocupado com O Futuro da Democracia (Norberto Bobbio, Paz e Terra, R$ 15,00), lutou contra a ditadura, tentando apresentar um Novo Vocabulário Político (Pedro Bocayuva e Sandra Veiga, Vozes, R$ 5,00) ao povo.

Ah, os riscos da juventude!… Ah, os dramas d’Os Países Subdesenvolvidos (Yves Lacoste, Difusão Européia do Livro, R$ 10,00)!… Muitas vezes, diante das injustiças, ele questionou: O que é isso, companheiro? (Fernando Gabeira, Codecri, R$ 10,00). Só mais tarde entenderia que nenhum homem é um’A Ilha (Fernando Morais, Alfa-Ômega, R$ 5,00).

Desiludido e por conta de Testemunhos e Ensinamentos (Milton Campos, José Olympio, R$ 20,00) equivocados, resolveu levar a vida a sério: formou-se advogado. Logo percebeu que o país precisava mesmo d’A reconstrução dos Direitos Humanos (Celso Lafer, Cia das Letras, R$ 15,00). Confuso, acabou num emprego público, já estava se achando O Homem sem Alma (José Castello, Rocco, R$ 10,00), perdido no mundo…

Precisava mudar. Fez incursões pelo cinema e pela TV, mas nada que resolvesse essa angústia… Até que lhe surgiu um brilho n’O Olhar (Adauto Novaes, Companhia das Letras, R$ 40,00): descobriu O prazer de fotografar (Erns Haas, Abril, R$ 20,00)!

Ah, tratou logo de fazer um bom Curso de fotografia (Jonh Hedgecoe, Melhoramentos, R$ 10,00)… Um dos seus primeiros exercícios foi fotografar As Estátuas do Rio de Janeiro (Carlos Sarthou, Leo, R$ 5,00). De repente sentiu, com A Máquina (Adriana Falcão, Objetiva, R$ 10,00) fotográfica sempre na mão, que estava pronto para o Fotojornalismo (Folha de São Paulo, R$ 10,00), que esta podia ser sua maneira de não ficar À Margem da História do Brasil (Vicente Licínio Cardoso, Companhia Nacional, R$ 20,00).

Sempre se esforçou por praticar, nas revistas e nos jornais em que trabalhou, uma Fotografia Pensante (Luiz Guimarães Monforte, Senac, R$ 30,00), buscando unir, no mesmo clique, História e Fotografia (Maria Eliza Linhares Borges, Autêntica, R$ 20,00), em vez de simplesmente registrar Poses e Trejeitos (Maria Inez Turazzi, Rocco, R$ 10,00) das “celebridades”. Não que, exatamente, quisesse comandar A pesquisa histórica no Brasil (José Honório Rodrigues, Companhia Nacional, R$ 25,00), mas é certo que Homem e Sociedade (Fernando Henrique Cardoso e Octavio Ianni, Companhia Nacional, R$ 25,00) estavam o tempo todo em seu foco, nesta sua particular Viagem à terra do Brasil (Jean de Léry, Martins Fontes, R$ 50,00).

A partir daí, sua vida girou sempre Em Torno da Fotografia no Brasil (P. M. Bardi, do Autor, R$ 40,00) e no mundo. Ou seja, passou a ter na mente e n’A Câmara Clara (Roland Barthes, Nova Fronteira, R$ 25,00) certeza: a fotografia era mesmo, para ele, e para sempre, A Grande Arte (Rubem Fonseca, Francisco Alves, R$ 10,00)!

Mas, a fotografia, Quem você pensa que ela é? (Cláudia e Beatriz Jaguaribe. 34, R$ 10,00)… Ah, é, ao mesmo tempo, Matéria e Memória (Henri Bergson, Martins Fontes, R$ 20,00). Assim, descobriu a paixão pelo laboratório. Muitas vezes, diante de tantos aparatos da Fotografia – Laboratório, técnicas e equipamento (Michael Langford, Melhoramentos, R$ 20,00) –, sentiu dúvidas: O que é Química (Alvaro Chrispino, Brasiliense, R$ 5,00) apenas e o que é, realmente, Fotografia?… Pois foi exatamente esta prática que lhe mostrou que toda técnica é apenas uma Introdução à Poesia (Cândida Vilares Gancho, Atual, R$ 5,00) implícita nas fotografias.

Foi assim, traçando Crônicas de amor à arte (Frederico Morais, Revan, R$ 15,00) fotográfica, que desenvolveu, pel’A imitação dos sentidos (Leopoldo Bernucci, Edusp, R$ 37,00), o interesse pelos livros de fotografia, o que o desviou (e à sua coluna…) para outras direções. Afinal, todo mundo busca Desenvolvimento e Mudança Social (Juarez Brandão Lopes, Nacional, R$ 5,00)!… Diante de tantos estímulos, sentiu que precisava voltar aos bancos escolares, uma vez que, dizem, há Explicações Científicas (Leônidas Hegenberg, Edusp, R$ 15,00) para tudo…

Meteu-se numa pós-graduação, queria aprender a fazer A leitura de imagens na pesquisa social (Ana Maria Mauad e outros, Cortez, R$ 15,00). Estava disposto mesmo a partir para A Redação de Trabalhos Acadêmicos (Cláudio Cesar Henriques, Eduerj, R$ 5,00). Mas, sabemos, ess’A Estrada (Federico Fellini, Civilização Brasileira, R$ 15,00) não é fácil… Diante da Formação Econômica do Brasil (Celso Furtado, Companhia Nacional, R$ 20,00) e em plen’A Década do Impasse (Washington Novaes, Estação Liberdade, R$ 15,00), perguntou-se: que rumo tomar?

Ah, a esta altura desenvolvera sua própria Pedagogia da Autonomia (Paulo Freire, Paz e Terra, R$ 5,00). Tinha a resposta Na Ponta da Língua (Sílvio Elias, Lucerna, R$ 5,00), embora soubesse que bateria de frente com A Ditadura dos Cartéis (Kurt Rudolf Mirow, Civilização Brasileira, R$ 15,00) editoriais. Balouçante entre Magia e Capitalismo (Everardo Rocha, Brasiliense, R$ 20,00), partiu do varejo para o atacado, das vendas avulsas nas feiras de fotografia à inauguração de uma livraria no Jardim Botânico [hoje, no Centro], esta Buriti Sebo Literário. Algumas vezes, devo dizer, eu me senti O Cúmplice Secreto (Joseph Conrad, Max Limonad, R$ 20,00) deste projeto, eu que o acompanhei de perto.

Sabe-se que O Negócio do Livro (Jason Epstein, Record, R$ 10,00) é, realmente, Uma Estranha Realidade (Carlos Castañeda, Record, R$ 8,00)… Em torno dos Livros, Editoras e Projetos (Jerusa Pires Ferreira, Ateliê, R$ 10,00) surgem todos os dias. São necessários tanto A Sabedoria dos Lamas (Lobsang Rampa, Record, R$ 8,00) quanto a habilidade d’ Os Mutantes (Pierre Weil, Verus, R$ 5,00), porque os Diálogos (Platão, Abril, R$ 10,00) com os fatos são os mais variados. N’O Meio Ambiente (Daniel Cruz, Ática, R$ 10,00) de uma livraria, você é O viajante Imóvel (Luciano Trigo, Record, R$ 20,00): as histórias é que passam por você… Ou seja, há que administrar em você mesmo, com cuidado, todos Os Sentidos da Paixão (Adauto Novaes, Cia das Letras, R$ 30,00) pelos livros…

Será a Buriti a Livraria Ideal (Aníbal Bragança, Eduff, R$ 20,00)?… Não, não será!… Não pode, por exemplo, ter a pretensão de ser o Guia do Patrimônio Cultural Carioca (Claudia Grangeiro Castro, Secr. Mun. Cultura, R$ 5,00). É lógico que uma boa livraria tem que ter Obras Diversas (Bartholomeu de Gusmão, Melhoramentos, R$ 10,00) e – no caso da Cidade do Rio de Janeiro – Bibliografia (Maria Luiza Villela de Andrade, Museu da República, R$ 5,00) a mais variada possível, que, afinal, estamos n’O Rio de todos os Brasis (Carlos Lessa, Record, R$ 20,00)…

O problema é que uma livraria pode se transformar em uma Casa de Loucos (João Antônio, Rocco, R$ 20,00), um lugar onde qualquer coisa pode virar a Gota D’Água (Chico Buarque e Paulo Pontes, Civilização Brasileira, R$ 5,00) para quem não tiver paciência. Alguns dirão que ele ficará com a Cuca Fundida (Woody Allen, Círculo do Livro, R$ 5,00)… Dirão que o tempo não para, que se trata de uma Sonata do Outono (Ingmar Bergman, Nórdica, R$ 15,00), que seria melhor dedicar-se a’O Ócio Criativo (Domenico de Masi, Sextante, R$ 8,00) de uma duvidosa aposentadoria. Em suma, que o cara não passa de um Dom Quixote (Miguel de Cervantes, Abril Cultural, R$ 25,00) um tanto ou quanto pós-moderno…

Esses Pensamentos (Blaise Pascal, Nova Cultural, R$ 10,00) não levam a nada. Há que separar O Trigo e o Joio (Fernando Namora, Europa América, R$ 30,00), porque, em última instância, é Questão de Ênfase (Susan Sontag, Cia das Letras, R$ 20,00) no bom senso… E não seremos nós quem lhe dará um Voto de Desconfiança (Bolivar Lamounier, Vozes, R$ 10,00), não é mesmo?

Ele não tem a pretensão de ser O Profeta (Gibran Khalil Gibran, Civilização Brasileira, R$ 30,00) de um tempo ideal… Está apenas praticando sua Verde Guerrilha da Paz (Fernando Gabeira, Clube do Livro, R$ 10,00), ao fazer surgir nesta cidade Inculta e Bela (Pasquale Cipro Neto, PubliFolha, R$ 5,00) alguns buritis literários, posto que não pode trazer até nós O Sertão prometido (Robert M. Levine, Edusp, R$ 20,00) pelos cantadores.

Será, evidentemente, uma Odisséia (Homero, Cultrix, R$ 25,00), mas, chegará lá, porque Tudo Tem o Seu Tempo (Waldo César, Philobiblion, R$ 20,00) e eu sei que Amor e Trabalho (Mathilde de Carvalho Dias, José Olympio, R$ 20,00), da parte dele, não faltarão.

Ah, fico me perguntando: até onde a Arte de Amar (Erich Fromm, Itatiaia, R$8,00) os livros nos levará?…

Guina Araújo Ramos, 23/12/2006

Observações lítero-comerciais
Todos os livros citados faziam, então,  parte do acervo de Buriti Sebo Literário. E talvez ainda façam, só não posso garantir que os preços sejam os mesmos…
Destaques do acervo de Buriti Sebo Literário estão em Buriti Letras.
E o acervo de livros de poesia na Estante da Poesia.
Para saber mais sobre esta miscelânea comemorativa, leia aqui.

Aprendi a ler na televisão. O locutor falava, lá estavam as palavras…

Lembro especialmente de ATENÇÃO, aquela voz alarmante ao fundo, pode ter sido minha primeira percepção das maiúsculas… Cheguei à escola sem saber rabiscar qualquer letra (até hoje tenho letra de médico), mas sabia ler!

Guina garoto

Se aprendi na TV (meu pai, caminhoneiro, passava por boa fase), seria talvez pela falta de livros em casa. Nem os infantis, os ilustrados. Aliás, nem frequentei jardim-de-infância… Intelectualmente falando, nada propícios a crianças a época (meados dos anos 50), o local (Brás de Pina, zona norte do Rio) e o meio social (as limitações da classe média baixa). Mas, bastante bom para jogar bola-de-meia na rua, disputar campeonato de botão no chão da sala ou brincar de pique-bandeira na calçada. E soltar pipa, mas nisso era muito ruim…

No que aprendi a ler, não parei mais, de bula de remédio a lista telefônica! Curti muito Atlas, os nomes das cidades, dos rios… Na infância, gibi não faltava. O Fantasma-que-anda era o máximo, também gostava de ser Mandrake… Parecido com livro, só Seleções do Reader’s Digest. Difícil, admito, a última parte, sempre o resumo um tanto dramático de um livro: Kennedy sobrevivendo à guerra nos mares do Pacífico, comunistas comendo criancinhas em Moscou, temas da época… Um dia, visitando um tio-avô em seu casarão rural na Baixada Fluminense, vislumbrei o paraíso: na sala coberta de estantes, edições de Seleções de desde os anos 30, encadernadas em vermelho, cinco por volume, título e números na lombada e nas capas. Ah, passei horas folheando, pena que ele não emprestasse…

Lá pelo Ginásio (o pós-Primário, antes da atual confusão entre anos e séries), alguns livros obrigatórios (lembro de fazer sozinho, emulando a opinião de cada um dos cinco colegas do grupo, um trabalho sobre Vidas Secas), alguns “esotéricos” (O Pequeno Príncipe, de Saint Exupéry, mais Voo Noturno e Terra dos Homens; O Profeta, de Gibran Kahlil Gibran, e seu profético “Vossos filhos não são vossos filhos, são filhos da ânsia da vida por si mesma“) e, principalmente, a descoberta das coleções de livros dos autores brasileiros mais populares…

Adolescência afora, atravessei (mais fácil do que Hércules se livrou de seus 12 trabalhos) a série completa de Monteiro Lobato, babando sobre sóbrios livros verdes de capa dura [hei, “se livrar”, para mim, não seria “ler logo todos os livros que pudesse”?...]. Depois, ou junto, me lambuzei na malícia e na lascívia do povo brasileiro a cada livro de Jorge Amado, o nome de lado, em branco, sobre capas vermelhas. E só depois atentei para possíveis significados dessas cores… Em suma, devo ter sido um perigo para quem decora a sala com lombadas (tenho um irmão assim…), mas devolvi, juro, um por um!

Li avulsamente uns Machado, de novo Alencar e o meu preferido do século XIX brasileiro, Manuel Antônio de Almeida em Memórias de um Sargento de Milícias, que repeti algumas vezes. Na verdade, bem como na música, sempre me interessei pela(s) minha (nossas) história(s) e circunstâncias, a minha bolha cultural (mas sem me furtar a Hemingway, Dostoievsky e alguns mais). Interesse que se mantém: acabo de ler O Mulato, de Aluísio Azevedo, após anos na estante, que daria boa e necessária novela das seis… E ainda uns mais modernos (sem contar a poesia de João Cabral e Drummond), viajando no tempo e no espaço com Veríssimo, o pai, rindo e sofrendo pelo Coronel e o Lobisomem em cada um de nós, conhecendo as trilhas de nossos maiores personagens, de Macunaíma a Riobaldo, ainda que não entendesse tudo de tudo…

Num certo momento, lá pelos 17, baixou uma certeza: um dia escreveria meus livros. Não então, tão verde… Quando tivesse aprendido muito, quando tivesse o que dizer. Vai que, depois, virei fotógrafo e durante uns 15 anos ou mais não li mais que manuais de equipamentos, filmes e técnicas. Estava, ao menos, escrevendo com a luz… Para compensar, como na piada do português que comprou coruja por papagaio, prestei uma atenção…

Até que, de mais de dez anos para cá, voltou, junto à de escrever, a necessidade de ler. Sem ordem, sem método, ao sabor de indicações, oportunidades, empréstimos, aliviando em sebos, físicos ou virtuais, o custo da paixão. E logo, pelos centenários, algum foco: numa leitura coletiva de Grande Sertão: Veredas, a renovação do deslumbramento por Guimarães Rosa. E li quase tudo dele. Aí, necessitei reler muito Machado de Assis. A roda virando espiral, cornucópia…

Ando devendo a muitos. Limitado em tempo e meios, sou, cada vez mais, inveterado leitor de resenhas, de matérias em cadernos literários e de tudo na densa selva da internet, sempre desejando mais que consigo ler. Limitado também por não quero ser mais um que apenas assiste. Muito me custa evitar o gasto de horas frente à televisão ou no cinema, mas produzir toma tempo…

Nesta trajetória de leituras, muitas datas… Há pouco descobri (e redescobri) o 25 de julho, que, admito, emociona. Dia do Motorista, dava valor desde pequeno e traz meu pai, os irmãos mais velhos, o que morreu na estrada… De repente descubro (e vale mais o acaso que a sorte), é também o Dia do Escritor.

Estamos todos na mesma lida…

Um espaço para comentários sobre o que leio e o que lêem de mim.

Por sobre os ombros

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.